Naquele tempo…

Naquele tempo……..

A expressão meio século nos remete há um período tão distante.  Velho, antigo e até ultrapassado. Mas, se mencionarmos cinquenta anos, nosso posicionamento já muda.   Tratando do tempo vivido por uma pessoa, meio século ou cinquenta anos, é tão pouco.

Minha avó, usava roupas bem comportadas e um lenço que adornava o seu lindo rosto. Tinha cara de senhorinha que pedia um afago, um carinho, somente com os olhos. Vó Ida, falava baixinho, andava com cautela. Tinha sempre  um agrado em sua bolsinha, para cada neto que chegava, que invariavelmente era uma bala ou uma moedinha, ensinando desde cedo, a importância da economia.

Para ajudar na economia doméstica, já naquele tempo, fazia panos de tarrafas, enquanto ouvia o rádio. Aquela velhinha era rigorosa quando o assunto era desperdício na hora da comida. Nenhum de nós, arriscava deixar sequer um grão de arroz no prato. Com isto, aprendemos ainda na década de 60, a lição contra o desperdício.

Esta mesma velhinha nos colocava para dormir no chão. Fecho os olhos e lembro da algazarra. Quem dormia antes de boas risadas e muita história a ser contada? Era uma época sem computadores, sem celulares, onde a luz era apagada cedo, para que todos dormissem, para acordar cedo, pois o mar da Vila Nova era a certeza de um dia pra lá de divertido. Enquanto íamos para a praia, o cavaquinho era feito, o pão era sovado, pois a netarada era numerosa e não existia padaria nos moldes das atuais.  Aliás, nem padaria e nem dinheiro para ser torrado com “mistura” para o café.

Já adulta descobri que aquela velhinha tinha apenas 50 anos. Hoje com 52, estou iniciando uma fase nova em minha vida, ou seja, pedi minha aposentadoria após 39 anos de trabalho, para lançar-me como palestrante, sentindo-me completamente jovem para esta nova fase.

Interessante é que hoje a visão que tenho desta minha juventude não tem nenhuma semelhança entre eu e minha vó.  Talvez seja pelo fato de ainda não ser avó, ou do meu guarda roupas ser constituído de peças tão diferentes daquela velhinha. Acabo de comprar uma calça jeans, uma camiseta e um par de tênis para iniciar minhas viagens, pensando no conforto e na possibilidade de correr entre um aeroporto e outro.

Ao voltar esta semana na Vila Nova, eu senti saudade do abraço da minha vó, porque casa de vó,  é a melhor coisa que existe no mundo!

2 respostas
  1. mara vianna
    mara vianna diz:

    Parabéns prima, belo texto e boas lembranças do nossa querida vó Ida, que realmente pra nós já era uma velhinha, hj a realidade é bem outra…graças a Deus. ?

    Responder

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